Apenas 600 mil deficientes, de um total estimado em 20 milhões no país*, recebem apoio de entidades e escolas públicas e particulares.
Apesar das idéias bem intencionadas do Governo, ou de esforços isolados de alguns dirigentes da Nação, sobram poucos recursos a serem investidos na área de Educação Especial.
A realidade está bem distante do ideal. Além de pouquíssimas, as escolas que acolhem deficientes se concentram nos grandes centros das regiões Sul e Sudeste, permanecendo o interior, o Norte e o Nordeste quase desassistidos, bastando enfatizar que no Nordeste atende-se apenas 0,4% dos deficientes!
A propósito, num país que pouco se investe na clientela dita "normal", como esperar que nossos deficientes sejam atendidos?
Há que citar, ainda, a questão dos recursos humanos, reduzidos face a raridade de cursos específicos, à ausência palpável de recursos e a falta de vontade política e de conscientização da sociedade. Explica-se por aí, o baixíssimo índice de formação de profissionais. Além do mais, os cursos existentes não lidam com a realidade. A preparação do professor está assentada numa concepção abstrata do que seja o aluno. Falta vivência física com a população a ser trabalhada.
A questão dos recursos humanos é, pois a nosso ver, a maior dificuldade enfrentada no campo da Educação Especial.
Assim ciente da realidade brasileira e recém formada pela PUC-RJ, a professora Renata Arantes Villela decidiu Investir seus conhecimentos profissionais onde mais precisavam dela. Fixou residência em São Vicente de Minas, região aonde o atendimento ao excepcional era nenhum e criou um grupo de estudos com pessoas interessadas na causa do excepcional.
Idealista, decidiu formar nas regiões carentes de recursos humanos e financeiros equipes de trabalho, aproveitando pessoas da própria comunidade, tornando-as capazes de atender ao deficiente de qualquer espécie, o qual por ter nascido longe de grandes centros, fica à margem da sociedade, sem qualquer tipo de atendimento ou tratamento.
A Flor Amarela é um projeto que existe há quase 20 anos em São Vicente de Minas e que atende a portadores de necessidades especiais do município e da região. Não discrimina por idade cronológica ou tipo de deficiência e no dia 17 de janeiro de 1999 foi matéria do programa Fantástico da TV Globo. Na época da matéria, recebemos a colaboração de brasileiros dos mais diversos lugares, o que ajudou a escola a superar sua pior crise e possibilitou seu crescimento. Hoje atendemos a 307 alunos portadores das mais diferentes deficiências: mental, física, auditiva ou visual. Nossos alunos são, em sua grande maioria, carentes de recursos financeiros. A proposta do nosso trabalho é atender o aluno não apenas no pedagógico, mas prepará-lo para a vida, possibilitando sua autonomia e independência, exaltando seu potencial e não sua deficiência. Em parceria com a APAE de São Vicente de Minas, desenvolvemos projetos de profissionalização e atendemos também as áreas de Saúde e Assistência Social.
* Fonte: Revista Nova Escola